Energia solar: a nova aliada dos produtores rurais

Energia solar: a nova aliada dos produtores rurais

Energia solar: a nova aliada dos produtores rurais

De acordo com pesquisadores, a previsão é que em 2025, o Brasil se torne o maior produtor de alimentos mundial. Concomitante a esta estimativa, nos últimos anos, o País tem apresentado índices recordes na produção de grãos e, também, na exportação de alimentos, aumentando significativamente o PIB brasileiro. O setor agrícola é um dos mais importantes da economia brasileira e responsável por quase R$100 bilhões em volume de exportações, em conjunto com a pecuária.

Paralelo a isso, o Rio Grande do Sul ocupa posição estratégica na oferta nacional de diversos produtos agrícolas sendo considerado o “Celeiro do Brasil”. A agricultura se faz presente em todas as regiões do Estado, além, claro, da produção pecuária destinada ao mercado internacional. Pra se ter uma ideia, em 2014, a carne de frango produzida em solo gaúcho foi vendida para 178 países; a carne de gado, para 159 países; e a carne suína, para 122 países.

Em nosso Estado, a maior parte dos estabelecimentos agropecuários enquadra-se nos critérios da agricultura familiar, sendo o terceiro estado brasileiro com maior número de pessoas no setor. Ou seja, são diversas famílias, com pequenas propriedades, responsáveis pela produção de alimentos básicos, como leite, aves, suínos, milho, feijão e mandioca, que alimentam a maior parte da população.

Os dados promissores e animadores do solo nacional contrastam com uma realidade mundial assustadora. Enquanto alguns países sofrem com a escassez de alimentos, outros são castigados com preços exorbitantes. Segundo a ONU – Organização das Nações Unidas, isto está diretamente ligado ao setor energético, precisamente aos biocombustíveis. Os preços dos alimentos também sofrem influência com a alta do petróleo. Outros pontos a serem considerados é a diminuição dos estoques de alimentos, como arroz, milho e trigo, em escala global; e claro, do aumento natural da população mundial.

Para que o Brasil amplie cada vez mais sua produção, ajudando a manutenção do abastecimento nacional e internacional, faz-se necessária a criação de condições adequadas para a sobrevivência dos agricultores e o acesso às novas tecnologias. Neste sentido, tanto no meio urbano, quanto no meio rural, o fornecimento de energia elétrica é de vital importância.

No aspecto social, a disponibilidade de energia viabiliza o conforto ao homem no campo, evitando a migração para os grandes centros urbanos. No ponto de vista da cadeia produtiva, promove a profissionalização da atividade rural, com o uso de novas tecnologias. Com a disponibilidade de energia, é possível acionar máquinas utilizadas nos processos produtivos, intensificar a produção, melhorando a qualidade dos produtos e reduzindo o custo.

Embora o fornecimento de energia ao meio rural tenha aumentado nos últimos anos, a grande extensão do nosso país faz com que, em muitas localidades as pessoas ainda não tenham acesso à energia elétrica de qualidade. Durante o período de colheita, que vai de novembro a meados de fevereiro, a sobrecarga de energia prejudica o fornecimento e para garantir e proteger a produção, a alternativa para muitos agricultores é investir na compra de geradores à óleo.

A possibilidade de produzir a própria energia cria uma nova alternativa para reduzir seus custos, aumentar sua produtividade e trazer segurança ao homem e a mulher do campo. Com o sistema fotovoltaico é possível gerar excedente para suprir futuros consumos, contribuindo no bombeamento em sistemas de irrigação, resfriadores para produção leiteira e câmaras frias, cercas elétricas para manejo de gado, estufas dentre outros equipamentos instalados nas propriedades rurais.

O Sistema Fotovoltaico já é amplamente explorado em países desenvolvidos, como Estados Unidos e países europeus. Todavia, no Brasil, os investimentos no meio rural ainda são modestos. O agronegócio responde por menos de 2% dos sistemas instalados no país, segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), isso pode ser justificado pelo valor do investimento, mas principalmente, pela falta de informação sobre o sistema que ficou 80% mais barato no Brasil nos últimos 10 anos. À medida que os preços continuarem caindo, os investimentos no setor tendem a ganhar força.

Nesse contexto, o incentivo governamental e o acesso a financiamentos de crédito são essenciais. Hoje é possível viabilizar o sistema de captação de energia solar através de linhas de créditos em bancos privados, cooperativas e financiamento pelo Pronaf Eco, direcionado para energia renovável e sustentabilidade ambiental. Além de uma tendência dentre as principais fontes de geração de energia do futuro, a energia solar fotovoltaica é uma excelente alternativa para o desenvolvimento da agricultura familiar.

Por Alexandra Bitencourt, jornalista.



Posts mais vistos

shares