Acadêmico avalia viabilidade do uso de energia solar na cadeia leiteira

Acadêmico avalia viabilidade do uso de energia solar na cadeia leiteira

Acadêmico avalia viabilidade do uso de energia solar na cadeia leiteira

Em mundo norteado por novas tecnologias, a eletricidade é hoje um dos principais insumos para o desenvolvimento, qualidade de vida, educação, saneamento e saúde. A população mundial aumenta a cada dia e, por consequência, a demanda por energia elétrica. O modelo atual da matriz energética somado aos períodos de seca, o inchaço populacional nos grandes centros e as grandes extensões de terra no meio rural, do País, resultam hoje em um sistema de abastecimento frágil, caro e que não dá conta da demanda nacional.

Atualmente, a indústria é responsável por 33% do consumo de energia no Brasil, seguido pelo transporte com 32,4%, as residências com 9,7%, o setor energético com  10,3%,  agropecuária 4,0%,  serviços (4,9%) e de uso não energético (5,8%).Diante desse cenário, a busca por meios alternativos de geração de energia vem se tornando uma necessidade primária de empresas, organizações e poder público. Dentre as alternativas encontradas para diminuir a dependência de combustíveis fósseis e a busca por fontes não poluentes, estão as centrais hidrelétricas, os geradores eólicos, os sistemas solares térmicos, os sistemas fotovoltaicos, as termelétricas e micro-turbinas alimentadas a gás natural. Contudo, dentre estes, a energia solar tem apresentado maior viabilidade, pois funciona tanto em uma pequena empresa ou casa habitual, quanto em grandes empreendimentos.

Tais dados fazem parte do estudo realizado pelo acadêmico Mateus Marcotto Vicentini, do curso de Administração da Universidade de Passo Fundo, campus Sarandi. Estimulado pelo uso cada vez mais recorrente de energia solar fotovoltaica em locais não atendidos pela rede elétrica, o estudante iniciou o estudo de viabilidade do sistema em uma unidade de recebimento e resfriamento de leite da COOPAC, Cooperativa de Produção Agropecuária Constantina. A Cooperativa tem como base o leite, mas também trabalha com fábrica de rações e recebimento de grãos, possuindo hoje 850 associados e pontos de atendimento em 4 municípios. O posto de leite recebe de 1,5 milhões a 2,3 milhões de litros mês e seu faturamento médio anual chega aos R$ 46 milhões.

Durante a análise foram avaliados,  o valor de investimento e qual o tempo de retorno na instalação de painéis fotovoltaicos, para manter em funcionamento a unidade. Foram coletados dados dos gastos de energia do mês de abril de 2017 até abril de 2018, através do recibo de energia, no qual consta suas variações e onde foi possível ver o gasto real no período de 12 meses. A média mensal registrou um consumo de 11.409,08 (kWh). Já, o custo para a implementação de um sistema de produção de energia fotovoltaica se deu através da avaliação de modelos e tamanhos, onde para cada tipo de empreendimento tem um tamanho e uma voltagem específica a ser instalada.

Os números coletados no período, acrescido da grande demanda da Cooperativa, dão conta de que com a instalação de painéis fotovoltaicos na estrutura do posto de resfriamento de leite, o sistema tornaria-se lucrativo para a Cooperativa a partir do quinto ano de implementação, além da geração de créditos no período, indicando que nos 20 anos subsequentes, não haveria um aumento no consumo. “Neste sentido, percebe-se um salto significativo na redução do custo de produção na bacia leiteira”, pondera o Acadêmico.

De acordo com a pesquisa, o projeto lançado pela Aneel em 2011: “Arranjos Técnicos e Comerciais para a Inserção da Geração Solar Fotovoltaica na Matriz Energética Brasileira” é um dos responsáveis pela criação de usinas experimentais de energia fotovoltaica, interligadas ao sistema elétrico nacional. Foi através deste projeto, que as primeiras experiências com usinas solares surgiram, envolvendo entidades públicas e privadas que apostaram na implantação de usinas solares de grande capacidade. Várias já estão em operação e outras em fase de construção. Exemplo disso ocorre em Tubarão/ SC, onde já existe a maior usina solar do Brasil em operação, com 19.424 painéis fotovoltaicos e capacidade de gerar energia solar para cerca de 2,5 mil casas em um ano, o equivalente para atender uma cidade entre 10 mil e 15 mil pessoas.

Ainda, durante a pesquisa, Mateus explica que, embora menos privilegiado, o Sul do País possui insolações melhores do que as encontradas em países que utilizam a energia solar como na Alemanha, por exemplo. “Um grande crescimento é esperado neste mercado, nos próximos anos, a nível mundial, sendo que no Brasil esse crescimento é gradativo. É uma excelente fonte de energia limpa e renovável. Com o aumento na concorrência e serviços prestados, a modernização e os valores estão ajudando a comercialização de forma rápida e eficaz”, enfatiza Vicentini.

Por Alexandra Bitencourt, jornalista.



Posts mais vistos

shares